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Afastados por corrupção, prefeito e vereador de Terenos receberam quase R$ 85 mil.

Mesmo suspeito de chefiar quadrilha, Henrique Budke continua recebendo salário de R$ 24 mil sem sair de casa.

Afastados por corrupção, prefeito e vereador de Terenos receberam quase R$ 85 mil.
Afastados por corrupção, prefeito e vereador de Terenos receberam quase R$ 85 mil. (Foto: Reprodução)

Há quatro meses afastados por corrupção, o prefeito Henrique Budke (PSDB) e o vereador Arnaldo Glagau (PSD) receberam quase R$ 85 mil de verba pública sem estarem trabalhando. Ambos foram presos durante a Operação Spotless, deflagrada no dia 9 de setembro do ano passado.


Budke ficou afastado do cargo de prefeito. Mesmo não estando mais atrás das grades, ele segue usando tornozeleira eletrônica e sem ocupar o cargo de chefia do Executivo. Após três dias da prisão, o vice, Arlindo Landolfi (Republicanos), assumiu interinamente o cargo de chefia da prefeitura.


Com o tucano longe das funções sob a acusação de supostamente liderar um esquema de corrupção, e Landolfi atuando como interino, a prefeitura está tendo que pagar salários para dois chefes do Executivo, de R$ 24 mil.


De outubro a dezembro, mesmo afastado por suspeita de corrupção, Henrique recebeu R$ 64.800 sem trabalhar. Isso sem contar o salário do mês de dezembro que deveria ser apresentado na folha de janeiro de 2026, a qual ainda não está disponível no Portal da Transparência. Seguindo o ritmo, na teoria, o valor seria ainda maior, totalizando R$ 88.800 só do prefeito investigado por corrupção nos últimos quatro meses.


Outro preso na operação que está afastado do cargo de vereador é Arnaldo Glagau. Mesmo após ser detido, o parlamentar chegou a receber dois meses de salário, totalizando R$ 19,8 mil. Na folha de pagamento de dezembro, referente ao mês de novembro, já não consta mais salário, por motivo de afastamento.


Conforme mostrou a investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), grupo de empresários agia em conluio para direcionar as licitações da Prefeitura de Terenos. Assim, uma empresa levava o certame, enquanto as demais participavam sem a intenção de vencer — apenas para dar ares de legalidade à competição.


A reportagem entrou em contato com a defesa do prefeito e foi informada de que o afastamento do cargo de Henrique foi determinado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). “À luz do princípio da presunção de inocência, toda pessoa é considerada inocente até o trânsito em julgado de eventual condenação criminal. Por essa razão, o servidor público afastado mantém o direito à remuneração, conforme previsões constitucional, legal e jurisprudencial, aplicáveis de forma geral e impessoal”, disse o advogado de Budke em nota.


O vereador Arnaldo Glagau também foi procurado, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem até esta publicação. O espaço segue aberto para manifestações.


OPERAÇÃO 


A Prefeitura de Terenos foi alvo de devassa do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) no dia 9 de setembro de 2025.


Foram expedidos 16 mandados de prisão, além de 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP).


A investigação apontou que o grupo liderado por Budke tinha núcleos com atuação bem definida. Servidores públicos fraudaram disputa em licitações, a fim de direcionar o resultado para favorecer empresas.


Os editais foram elaborados sob medida e simulavam competição legítima. Somente no último ano, as fraudes ultrapassaram os R$ 15 milhões.


O esquema ainda pagava propina para agentes públicos que atestavam falsamente o recebimento de produtos e de serviços, bem como aceleravam os processos internos para pagamentos de contratos.


A Operação Spotless foi deflagrada a partir das provas da Operação Velatus, que foi realizada em agosto de 2024. O Gaeco e Gecoc obtiveram autorização da Justiça e confirmaram que Henrique Budke chefiava o esquema de corrupção.


Spotless é uma referência à necessidade de os processos de contratação da administração pública serem realizados sem manchas ou máculas. A operação contou com apoio operacional da PMMS (Polícia Militar de MS), por meio do BPCHq (Batalhão de Choque) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).



Por : Redação 

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